Nadia Baptista
elas podem ser encontradas facilmente. nos classificados de jornais, apresentam-se com a cunha de acompanhantes. algumas mais modernas, têm até site. à flor da pele traz um breve relato de uma experiência vivida por um de nossos colegas, Thiago Cruz, com uma profissional do sexo. o fato, ocorrido no ano passado, gerou comentários, e uma longa entrevista de 15 páginas…
thiago procurou uma prostituta nos classificados, foi até a um lugar que se assemelharia a um bordel em vila velha, onde pagou pela entrevista (e uma dúvida persiste até hoje se o pagamento teria sido somente por uma entrevista), que nos rendeu não só boas risadas, mas também se mostra como um relato fiel das dificuldades enfrentadas por essas moças. Alice, 26 anos, na profissão desde os 20, responde a algumas perguntas que certamente vêm à cabeça de todos quando se pensa em prostituição.
Thiago - O que te levou a optar por esse estilo de vida?
Alice – Falta de dinheiro.
T – Como é a sua família? Qual a influência dos seus pais nessa sua escolha de vida?
A – Bom, na verdade meus pais não sabem que eu faço programa, eles acham que eu trabalho tomando conta de uma senhora.
T - Você já sofreu algum caso violência em seu trabalho?
A - Não. Graças a Deus, já tem um tempo que eu trabalho. Já ouvi casos de meninas que apanharam, que já fizeram programa e não receberam, humilhações verbais. Eu graças a Deus não, nunca passei por isso. Acho que se tivesse passado teria desistido. Apanhar de homem, você tá doido.
T - Você usa drogas?
A - Não.
T - Quais métodos você utiliza para evitar uma gravidez?
A - Eu tomo anticoncepcional e uso camisinha.
T - Você sabia que existe um projeto de lei para regulamentar a profissão. Como você vê isso?
A - Ridículo. Já pensou ter em sua carteira de trabalho assinada como garota de programa, ou prostituta? Aí depois eu desisto dessa vida, vou procurar um emprego, chegando lá podem ver que eu era mulher da vida. Nada a ver, sei lá, eu não gostaria de me incluir nessa.
T - Como você vê seus clientes?
A - Como clientes. Homens que vem aqui e me pagam para ter um pouco de satisfação.
T - Você já sofreu alguma discriminação pela sua condição profissional?
A - O mundo fala que não tem preconceito, mas tem preconceito sim. Se eu passar na rua e alguém apontar e falar – ali, aquela menina é garota de programa – todos vão falar – ela é piranha – na verdade há um preconceito. Mas eu, até hoje, não sofri nenhum não. Porque ninguém, a não ser os clientes, sabem.
T - Em qual situação você deixaria a prostituição?
A – Por um emprego legal. Eu não me prendo a isso aqui não.
T - Você escolhe o cliente de alguma forma?
A - Não, é qualquer um que chegar.